A Selecção
12
Nov

2013

Palestra de Terça-Feira

Por José Miranda


Teve continuidade no fim-de-semana que passou a progressão na Taça de Portugal, rumo ao Jamor. E teve também continuidade uma das edições mais sensaboronas dos últimos anos, pelo menos no que diz respeito a surpresas. "Taça" foi coisa que não aconteceu na 4ª eliminatória, pelo menos até agora, e só Fafe e Tondela estão em posição de inverter esta tendência do mais forte, pelo menos teoricamente, ganhar. Salvou-se o derby, que fez jus ao passado recente dos embates entre águias e leões para esta competição.

 

Marítimo, Rio Ave e Arouca e Penafiel bateram tranquilamente adversários de escalões inferiores, beneficiando do sorteio para fazerem valer, os três primeiros em casa, a sua qualidade. O Vitória de Setúbal necessitou da sua estrela paraguaia, Cardozo "Jr.", para levar de vencida o Santa Maria do CNS. O sonho dos barcelenses esbarrou no golo do striker sul-americano, ponto do alto do jogo até pelo saltar de vedação para ir dar aquele beijo na namorada - pelo menos esperamos que seja a namorada, e a dele, senão estará em apuros com certeza - com direito ao amarelo da praxe, naturalmente.

No outro espectro da dificuldade, o Estoril e o Atlético necessitaram de mais 30 minutos do que é habitual para levarem de vencida adversários da "terceira", sendo que os famalicenses banalizaram o futebol "europeu" dos Canarinhos, ficando assim em casa a maior vitória moral desta eliminatória. Por dificuldades ainda maiores passaram Gil Vicente e Académica, que acabaram por prevalecer na lotaria dos penalties batendo o Cova da Piedade e o Académico de Viseu.

 

Nos duelos entre emblemas do nosso principal escalão, o Sporting de Braga ganhou em Olhão, naquele que pode ter sido o despertar da opinião pública para um dos nomes preferidos do Especialista. Rafa esteve no melhor dos arsenalistas e dos golos com que que selou a passagem, o último fica marcado não só pelos "cabritos" - intencionais ou não, a sua velocidade de reacção e execução veio ao de cima - com que brindou a defesa algarvia mas sobretudo pela perfeita recepção à la Zidane com que deixou o primeiro adversário de fora do lance. Disputado entre os bracarenses e os homónimos de Lisboa na pré-época, ainda não pegou de estaca na equipa do "Professor" mas com jogos destes pouco faltará...

O Porto venceu tranquilamente o Vitória de Guimarães. Num jogo decidido ao intervalo, foi a classe de Lucho que desmarcou Fernando e Jackson a caminho da vitória. O rumo do jogo não correu de feição aos vimaranenses, equipa cuja estratégia assenta normalmente no "0-0 ao intervalo" - expressão deliciosa que ouvi este fim-de-semana e que vai ter direito ao seu tempo de "atena" num futuro próximo-, e a sua incapacidade para jogar em desvantagem no marcador fez-se novamente sentir. Um dos colombianos em "crise" no nosso futebol voltou aos golos à poacher e parece que a sua travessia no deserto chegou ao fim mas o jogo valeu pelo sorriso de El Comandante após o golo do Fernando, que disse logo tudo acerca da "fortuitidade" do cruzamento-remate que deu cabo da coruja e da táctica de Rui Vitória.

 

O destaque da semana vai com naturalidade para o derby. Primeiro, porque derby é derby. Segundo, porque é o "clássico dos clássicos". Terceiro, porque foi um jogão.

Como quase todos os jogos mais mediáticos do passado recente do nosso futebol o retrato histórico do mesmo acabará por ficar ligado aos erros de arbitragem, incluindo o grosseiro penalty que André Almeida cometeu e que um Duarte Gomes que percebe pouco das leis da Física e de projécteis não descortinou.

Apesar de já ter corrido imensa tinta desde Sábado, quase toda foi direccionada aos únicos elementos semi-profissionais que estiveram em campo. E recordando Domingos Paciência - sotaque, ar tristonho e tudo - "pena é que" assim seja.

 

Já ninguém se lembra que o jogo teve 7 golos, 3 bolas nos ferros, outras tantas a tirar tinta e ainda inúmeras defesas de qualidade superior. Só do árbitro.

Já ninguém se lembra do hattie do Cardozo na primeira parte, cimentando a alcunha de "caçador de leões". Só se lembram que falhou aquela de pé direito no final.

Já ninguém se lembra do jogão do "Williams" - o "mestre" esta semana já tinha estado em grande com o "Antenas" mas ninguém sabia que ele gostava de F1. Só se lembram do erro que resultou no 3-1.

Já ninguém se lembra das duas defesas de classe mundial do Rui, que levaram o jogo por decidir até ao novamemente penoso minuto 92 para os encarnados. Só se lembram que deu um "frango" daqueles.

Já ninguém se lembra de todas as outras decisões acertadas que Duarte Gomes - mesmo que o rácio não tenha sido o adequado - tomou durante os 120 minutos em que andou a correr atrás de 22 atletas profissionais aos chutos a um objecto esférico. Só se lembram do penalty que não assinalou.

Oscar. Rui. Duarte. Um abriu o jogo. Outro não deixou que o fechassem. O terceiro era só o árbitro. No entanto, tal como há um derby com pouco mais de 10 anos que é conhecido como o "do escoirão" - "senti o escoirão e caí" - daqui a 10 anos, aposto que este vai ser conhecido como o "da mão".

 

É de "agrião" que as massas gostam? É "agrião" que terão...

Os 4-3 que se lixem... O futebol que se lixe... Viva o "agrião"...