A Selecção
08
Out

2013

Palestra de Terça-Feira

Por José Miranda

 

E após a 7ª Jornada, eis que surge a primeira chicotada psicológica da época, e, para surpresa de muitos, o alvo da mesma não se chama Francisco Costa. O eterno jogador do mês da II Liga bisou pela primeira vez no principal escalão português. Maxi Pereira, um jogador daqueles que são amados pelos seus e realmente desprezados pelos restantes, foi pela primeira vez expulso no nosso campeonato. E só um treinador se queixou do árbitro. Além disto, não se passou nada de especial.

 

Na frente, Arouca e Vitória de Setúbal ofereceram alguma resistência a Porto e Sporting. Se no final a vitória azul-e-branca pareceu custosa e a verde-e-branca fácil, o mesmo não se passava aos 35 minutos de cada partida. No entanto, há jogos que se vão resolvendo por si próprios e estes dois foram um belo exemplo disso mesmo.

Um pouco mais atrás na tabela, Braga e Estoril cederam em confrontos com Nacional e Benfica respectivamente, uns de forma clara, outros nem por isso, trocando posições na classificação. Os arsenalistas mostraram novamente que são o Dr. Jekyll e o Mr. Hyde do campeonato até agora, tendo sucumbido perante um dos melhores tridentes ofensivos da prova (e "O Caso" nem jogou). Os canários acabaram por perecer após os muitos quilómetros da Operação Liberec e mais umas dezenas de minutos a jogar em inferioridade numérica, num jogo em que foram sempre a equipa mais esclarecida em campo.

 

Noutros campos, o pragmatismo de Deus voltou a pontuar, amealhando 3 pontos que além de representaram o melhor início do Gil Vicente desde que se estreou na 1ª Divisão em 90/91 também serviram para agudizar o pesadelo que tem sido a época pacense até agora. Apesar do brilharete nos Barreiros e depois do empate europeu, a recepção após a curta viagem de regresso de Barcelos foi "quentinha" e os adeptos castores já fizeram sentir a Costinha (e a Maniche) que a situação se está a tornar insustentável.

Em jogo de estreia de mais um equipamento alternativo laranja na história do futebol português - este dedicado pel' Os Belenenses a Mitchell van der Gaag -, Miguel Rosa somou o seu 57º golo em 162 partidas no escalão de séniores. Chegou apenas aos 24 anos à I Liga, mas felizmente ainda vamos a tempo de apanhar os seus melhores anos. Faltou-lhe, até agora, o agente de Abel Xavier, o mister derrotado, que prometeu após o final: "São incidentes a mais, que, enquanto treinador, vou tentar corrigir nos treinos". Estamos aqui para ver isso, Abel.

O Rio Ave não precisou de marcar em Coimbra para trazer os 3 pontos. O autogolo que resultou em mais uma oportunidade desperdiçada em casa pela Académica (0-0 vs. ARO na semana passada) é um castigo adequado à qualidade do futebol apresentado. O melhor que se pode dizer é que, nos dias que correm, ver um jogo da Briosa é uma verdadeira prova de amor pelo desporto rei.

Ontem, o Vitória de Guimarães, moralizado pelo soberbo empate em terras gaulesas, acabou por bater o Marítimo, no único jogo da jornada com polémica à mistura. Afinal os árbitros são sempre maus, não é só contra os "3 Grandes", mas a ordem de argumentos para se reclamar há muito estabelecida é:

1. Foi contra um dos "3 Grandes"
2. Foi fora de casa
3. Este senhor está a mais no Futebol Nacional

 

Voltando à chicotada da semana, o Vitória de Setúbal não foi a primeira equipa a perder um treinador mas foi na cidade da foz do Sado que primeiro se sentiu a necessidade de se mudar qualquer coisa. Já. Aparentemente, antes que fosse tarde demais. José Mota já não é o treinador do centenário clube setubalense, após a pálida exibição de sábado em Alvalade, só mais uma no longo historial de José Mota.

Como muitas das chicotadas que acontecem nesta altura do campeonato, e neste caso o timing até parece ser adequado para este tipo de acto de gestão devido à longuíssima paragem no campeonato que aí vem, resulta muitas vezes de um cansaço acumulado que já vem de trás. As ideias de Mota não correspondiam aos princípios de jogo históricos do VFC e a sua presença foi mais "tolerada" que "desejada" pelos vitorianos.

Apesar da inestética do seu futebol, Mota tem mais manutenções que descidas no seu currículo e ainda uns brilharetes pelo meio, com Leixões e Paços, que ficariam bem no de muitos outros treinadores. É pragmático e parece ser, nesta altura da sua carreira, um daqueles treinadores capaz de arrancar uma manutenção todos os anos, custe o que custar. E ainda vai mandando umas bocas, pelo caminho.

Agora vem aí o desconhecido, e quem quer que seja o escolhido saberá logo à partida que terá que juntar a nota artística aos resultados para agradar à reconhecidamente exigente massa adepta setubalense, que não engraça com um mister desde Carvalhal, na algo distante época de 07/08.

 

Para o fim, o segundo melhor momento do fim-de-semana, até porque o golo de Cardozo é bem melhor em imagens que em palavras. O Sporting acabou por construir um resultado que parecia improvável no instante do "passe à Rui Águas/Secretário/Bruno Alves" de Rafael Martins. Num jogo completamente bloqueado, e com muito poucas oportunidades de perigo - nem sequer half chances - foi a suprema qualidade de Fredy Montero que proporcionou o click que rebentou com o dique sadino, até aí a mostrar uma robustez considerável.

Toda a leitura que fez da situação, ao arrancar, escondido atrás de Cohene, mal Rafael Martins ajeitou a bola para o pé esquerdo, foi só mais um detalhe de um perfeito desconhecido que aterrou no futebol português este ano.

A questão aqui é que os detalhes que Montero já nos mostrou são mais ou menos como o algodão, isto é, são quase todos de striker de topo. No sábado passado, com os dois golos apontados ultrapassou os 100 de carreira, em apenas 221 jogos. Ainda só passaram 7 jornadas, mas uma coisa podemos já afirmar com toda a certeza: Fredy Henkyer Montero Muñoz, Jr. é nome de Matador.

 

PS- Um pequeno diálogo que apanhei numa conversa de café no dia de ontem:

- Para a semana temos que ganhar, ou pelo menos empatar.
- Para a semana jogam as selecções. Não há campeonato.
- Então na outra. Temos mesmo que pontuar.
- Nessa também não há campeonato. Taça.
- Mas afinal quando é que há campeonato neste país?