A Selecção
27
Mai

2013

O novo léxico

Por José Miranda

 
Foi em dia de "Festa da Taça" que vimos surgir uma nova frase que vai cunhar um feito, muito provavelmente, nunca antes alcançado.
 
São momentos como o de ontem que ficam vincados no atrito histórico das rivalidades desportivas. Estes são os acontecimentos que os adeptos adversários adoram recordar e que normalmente conseguem imortalizar em poucas palavras, apenas as suficientes para nomear eventos deste género e activar imediatamente um mar de memórias, mas das más. E é destes lembretes da história que viverão muitas das discussões que hoje irão proliferar pelo nosso país fora.
 
Da mesma forma que utilizamos "fazer um Sérgio Conceição" para quando um jogador corre na direcção da bola apenas para a deixar passar entre as pernas e ir buscar do outro lado e da mesma forma que utilizamos "fazer um Benítez" para quando um treinador de uma equipa que perde aos 80 minutos decide trocar de laterais direitos, existe a partir de hoje uma nova expressão a utilizar para o que acabámos de observar, para definir esta derrota que aparentemente durou um total de 15 dias.
 
A reacção das hostes derrotadas no final demonstra que, independentemente do jogo, da forma como correu e de tudo o resto que se passou a nível de futebol, que alguém tem que ser responsabilizado pelas ocorrências do Jamor. E é no destinatário dessas reacções, nesse alvo que será centrada esta nova entrada no já extenso repositório de dizeres futebolísticos.
 
Fica então o dia 26 de Maio de 2013 registado como o do surgimento oficial do termo "fazer um Jesus". No que consiste então este novo membro do léxico futebolístico? Estes são os 3 principais atributos:
 
* perder o campeonato na penúltima jornada nos descontos
* perder uma final de uma competição europeia nos descontos
* perder a final da taça nos últimos 10 minutos
 
 
Não sei se é algo inédito no futebol mas não deve andar muito longe disso. Por exemplo, Heynckes fez algo semelhante no ano passado com o actual colosso Bayern, mas apesar do dramatismo que foi perder a UCL daquela forma, o campeonato foi entregue cedo ao Dortmund e na final da Taça baqueou novamente e por números claros perante os die schwarzgelben. Mesmo perdendo a final da Champs em casa, nem o facto de ser o treinador que perdeu em Vigo fez com que um "Heynckes" ultrapassasse um "Peseiro", a expressão corrente até hoje do "quase". Pode ter perdido mais coisas, mas foi noutro campeonato, com outros clubes, pelo que não existe a mesma conexão que faça com que o chavão pegue.
 
"Fazer um Peseiro" é algo que tem sido usado desde 2005 para as equipas do "quase". Com base num campeonato perdido em casa do rival, também na penúltima jornada, e numa final europeia perdida no seu próprio estádio, o seu reinado durou apenas 8 anos. Caiu ontem em desuso, aos pés do Vitória de Guimarães. Passa a ser uma expressão secundária, que a partir de hoje só será utilizada em conjunto com a nova. Em conversas de cafés, no futuro, vamos poder ouvir aquelas trocas de bitaites entre fãs rivais em que alguém diz:
 
- O campeonato já foi, se perdemos a final europeia ainda fazemos um Peseiro.
- Podia ser pior, podiam fazer um Jesus.