A Selecção
09
Mai

2013

A melhor potência europeia

Por José Miranda

 

Ontem foi levantada aqui no 11para11 num texto do Papoilas Saltitantes uma questão muito interessante, acerca da presença regular de equipas portuguesas nas fases de grandes decisões das competições organizadas pela UEFA. Tenho a percepção que, para um pequeno país à beira-mar plantado, conseguimos imiscuir-nos mais vezes do que seria previsível na luta pelo silverware da UEFA, mas até que ponto é que somos uma verdadeira potência a nível europeu?

 
Para tentar medir o nosso sucesso além fronteiras foram consideradas as últimas 4 equipas em competição nas últimas 10 temporadas (tendo já atribuído os pontos pela presença na final e nas meias-finais da corrente época também) e atribuído uma pontuação (sem qualquer critério associado que não seja o que na sede do 11para11 nos pareceu mais adequado) por fase atingida em cada competição. 

Basicamente, na nossa opinião ganhar uma Champs vale o dobro de ganhar uma "Aeroliga" mas perder na final da Champs é melhor que ganhar a UEL. Perder nas meias-finais da UCL também é melhor que perder a final da "Liga da Europa".
 
Tendo isto em conta, vemos que Espanha e Inglaterra são claramente as potências que dominaram o futebol europeu desde 2002-2003 até este ano. Das 88 possíveis presenças em meias-finais, 44 são de equipas destes 2 países. A Espanha leva vantagem devido ao elevado número de finais ganhas, que representa 40% de todas as competições em disputa. Observamos também as dificuldades pelas quais passaram o futebol italiano e alemão, que se encontram posicionados num patamar claramente inferior e com aproximadamente 10%, cada um, de presenças nas meias-finais. Nada disto é uma grande surpresa, tendo em conta que esses são considerados os 4 campeonatos mais fortes a nível europeu.
 
 
A surpresa, para os mais desatentos, é a presença do nosso país no top-5 desta lista, não atrás do 3º e 4º mas lado a lado com eles. Com 9 presenças em meias-finais nos últimos 10 anos, temos sensivelmente a mesma assiduidade de alemães e italianos, o mesmo número de Taças destes últimos e infinitas mais que os alemães, que não têm feito jus à frase "o futebol são 11 para 11 e no final ganha a Alemanha", concentrando-se mais no mote "as finais são para perder" (algo que inevitavelmente se vai alterar a 25 de Maio). Tendo em conta a miserabilidade com que o nosso futebol é tantas vezes descrito, muitas delas internamente, e a forma leviana como somos tratados pela UEFA (eu lembro-me da pré-eliminatória da UCL que o Vitória SC "perdeu"), estes resultados espelham exactamente a antítese dessa imagem há muito formada na opinião pública global.
 
A nível de contribuições, naturalmente temos que dar destaque ao Porto. Contribuiu com quase 2/3 dos pontos totais, apesar de apenas ter 33% das presenças lusitanas nas meias-finais, isto porque beneficia de uma taxa de sucesso maior, visto ter ganho a competição respectiva nas 3 vezes em que chegou às meias-finais da mesma. Este destaque de um clube contribuidor é uma situação semelhante à dos outros países, com relevo novamente para os italianos e os alemães que têm distribuições parecidas. Mesmo em Espanha, o Barcelona concentra praticamente 50% dos pontos conquistados, o que é um claro reflexo dos períodos de domínio interno destas equipas na década que passou. Até a nível da diversidade estamos no topo, com 5 equipas representadas. Apenas Itália (6), Inglaterra (7) e Espanha (10) nos superam neste capítulo.
 
 
A parte ainda mais interessante acerca destes números vem quando ajustamos os valores globais à dimensão da população de cada país. Aí não há "pai para nós". Todos os valores já descritos, quando analisados por 1 milhão de habitantes demonstram a força do nosso futebol. Tanto na análise qualitativa que fizemos das presenças, reflectida nos pontos, como nas próprias presenças e nas vitórias alcançadas, a diferença é notória para os seguintes. De relevar a entrada de outro país teoricamente muito fraquinho mas com uma expressão assinalável para a sua dimensão, a Escócia.
 
Resumidamente, podemos constatar que temos um treinador e um jogador no top-5 das respectivas profissões. Exportamos teóricos e práticos do futebol para todos os continentes do planeta Terra. Temos jogadores nos nossos clubes que são pretendidos pelos grandes tubarões, alguns formados cá e outros adquiridos normalmente por valores ainda aceitáveis e vendidos por verbas milionárias, estando regularmente no topo do mercado de transferências a nível de lucro. Ganhámos 15% das últimas 20 competições europeias em disputa.
 
Podemos não ser a "maior" potência do futebol europeu a nivel de clubes, mas acredito que somos a "melhor".