A Selecção
09
Jun

2014

11's do Ano - Revelações

Por O Especialista

 

Começamos hoje o balanço anual dos campeonatos profissionais portugueses. Voltamos a contar com a ajuda do nosso scout privado, aka "O Especialista", que terá que continuar a manter o anonimato por motivos profissionais. Volta mais refinado depois de uma época longa no principal campeonato, mas sempre entre portas e de olhos na TV.

A segunda edição dos 11's do Ano começa, tal como no ano passado, pelas revelações mas juntámos-lhes também os rookies no campeonato português, que no fundo acabam por o ser também. Olhámos para aqueles que chegaram sem pompa nem circunstância e que acabaram a brilhar, os que deram aquele passo em frente ao nível do seu futebol e que podem agora aspirar a outros voos e ainda os que começaram neste ano a despontar no meio dos homens.

Fica então aqui o 11 revelação da época 2013/14 da Liga Portuguesa:

Já fez parte de um destes 11's no ano passado e depois de épocas promissoras na II Liga, Matt Jones confirmou a sua qualidade com um ano de grande nível na baliza do Restelo. Aos 28 anos o keeper inglês parece pronto para voos mais altos e a sua primeira época na I Liga não defraudou. Com a compleição física de um Peter Shilton, continuou a melhorar nunca se mostrando abalado pela pressão da linha de água. 

André Geraldes chegou a Belém no mercado de Inverno vindo da Túrquia para se estrear no principal escalão. Seguro a defender, ganhou confiança no final da época e mostrou que também se integra com facilidade no ataque. Um lateral a rever, muito possivelmente já noutros campos a partir de Julho.

Fruto de uma nova política de investimento do Sporting, Maurício chegou a Alvalade vindo da 2ª divisão brasileira, onde nem sempre era titular, e muitos foram os que duvidaram da sua contratação. Golos na pré-época e mais um no jogo de estreia impulsionaram este "centralão" clássico para acabar por ser das figuras do 2º classificado do campeonato.

Depois de uma época de estreia pelo Nacional em que tardou a ganhar minutos, Miguel Rodrigues pegou de estaca em 13/14 e estabeleceu-se como um dos mais promissores jovens centrais lusos. A leitura de jogo e a consistência que já evidencia aos 21 anos não passaram despercebidas à maioria dos emblemas nacionais e também alguns estrangeiros pelo que a estadia na Pérola do Atlântico não deve durar muito mais.

O nosso “Especialista” e o departamento de futebol do Benfica concordam. Após uma época onde foi um dos esteios da equipa de Coimbra, Djavan mostrou uma competência e à vontade ofensiva pouco comum para um lateral de uma equipa defensiva. Vai para a Luz onde os adeptos esperam que seja mais Siqueira que Cortez.

Após a presença na final do Mundial Sub-20 seguiu-se uma experiencia falhada no estrangeiro e Danilo Pereira ameaçava tornar-se mais uma jovem promessa caída no esquecimento. Os ares da Madeira e Pedro Martins recuperaram-no, falta saber se será para durar desta vez. O crescendo de forma e a evolução no seu jogo no último terço do ano, onde começou a integrar-se mais nas manobras ofensivas, parecem dizer que sim.

José Couceiro pode não ter chegado a presidente do Sporting mas terá ajudado a capitalizar mais um talento da sua Academia. João Mário fez uma grande segunda metade de campeonato assumindo-se como o patrão dos “sadinos” e garantido o regresso à casa mãe com um grande capital de hype.

Também no Sado, Pedro Tiba passou a ser peça fundamental na manobra vitoriana após a saída de José Mota. Já apelidado de “Moutinho do Bonfim” este pequeno mas pujante jovem médio centro estreou-se apenas este ano nos campeonatos profissionais nacionais e é um excelente exemplo para a qualidade existente nas divisões inferiores e que tem poucas oportunidades.

Chegou, viu e venceu. Montero foi o jogador da primeira volta, assumindo-se como um goleador nato e ídolo de uma torcida desesperada por bons momentos. Na segunda metade da época desapareceu, acabando o campeonato como suplente. Teremos aqui o novo Mariano Toedtli? Não para o “Especialista”, que sabe o peso do nascimento de uma filha a meio de uma época.

Paulo Pereira, o nosso adepto maritimista, escrevia em Fevereiro “não é um avançado prestável, competente, que marca os seus golinhos. É um ponta-de-lança que tem tudo: força, velocidade, técnica, inteligência, instinto, carácter”. E é complicado resumir Derley melhor. Os seus números e a sua significância na época marítisma são, no mínimo, impressionantes. Mais um a caminho de um grande, se é que se pode confiar nos jornais.

Fechamos com Rafael Martins, que no início da época era apelidado de ineficaz pelo anterior Editor - "começando cada vez mais a parecer aquele avançado brasileiro que marca a cada 7 jogos". Há semelhança dos seus dois colegas de equipa presentes neste 11, também foi dos que mais beneficou com a mudança de treinador. Passou da ala para o meio, jogando em cunha entre centrais e laterais preferencialmente. A partir daí só parou nos 15 golos.

 

Para o final deixámos quatro menções honrosas. Jogadores que não cabiam no 11 acima mas que não mereciam que não se falasse neles.

Apenas o avistámos na primeira metade da época, visto que em Janeiro rumou ao Valencia, mas Rúben Vezo deixou a suar marca no nosso imaginário futebolístico. No mesmo molde de outros centrais "imponentes" mas sem o arcaboiço considerado indispensável (vide Cannavaro), é sempre um prazer ver um “minorca” dominar uma zona aérea defensiva.

A Academia de Alcochete continua o seu longo e metódico processo de fabricar extremos de qualidade. (Sim, nós sabemos, este joga melhor a 10). Carlos Mané é o mais recente e, felizmente, não tem um representante com nome de astrólogo para o levar dali para fora.

Sul-americano, de formas arredondadas, parece o típico jogador “habilidoso mas com pouca rotação”. Nada mais longe da verdade, Felipe Pardo é um portento de velocidade que, apesar da má época da equipa, conseguiu mostrar a sua qualidade. Num Braga mais consistente poderá vir a ser um caso sério no nosso campeonato.

Para o final e presente em boa parte por causa das suas estatísticas, caso houvesse uma comunidade “analítica” no futebol português João Pedro Galvão seria o seu poster child. 1285 minutos chegaram para fazer 8 golos e 4 assistências. Há casos em que os números dizem tudo...