A Selecção
16
Ago

2013

11's do Ano - Os melhores

Por O Especialista

Começa daqui a nada um novo campeonato. Pela única vez durante a época todas as equipas estão empatadas. Ainda não há surpresas. Ainda não há fracassos. Todos os jogadores começam com uma folha limpa, prontos a serem avaliados por aquilo que vão produzir nas próximas 30 jornadas.

Para comemorar o evento e para lançar esta nova época decidimos retardar o anúncio dos melhores do ano passado até ao dia de hoje. Só para activarmos as memórias do que vimos. Afinal de contas, já se passaram uns longos 3 meses desde que vimos futebol a sério, do que conta 3 pontos.

Naturalmente, "O Especialista" revelou-se bastante desagradado com esta decisão editorial. Felizmente descobrimos que o PES apazigua o seu estado de espírito, nomeadamente uma Master League com o Prof. Jesualdo como mister, mostrando dotes de grande festejador de golos com o comando na mão. Graças ao prodigioso produto do país do Sol Nascente, o ambiente na redacção tem andado estranhamente calmo.

Voltando aos escolhidos, estes são aqueles que deslumbraram o nosso scout privado. A predominância dos dois clubes actualmente mais fortes é paradoxalmente sinal do fosso que existe para os restantes mas também da sorte que temos em ver vários futebolistas de topo a evoluirem nos nossos relvados durante algumas épocas, antes ou depois de passarem por palcos considerados maiores.

Para os que acharem que os jogadores abaixo não encaixam numa táctica real, vamos ao manual das tácticas e relembramos "O Mestre" em 09/10, com o seu 4-4-2  disfarçado de 4-3-3, em que no nosso é o futuro avançado da Selecção que faz de "Pequenino Argentino" e o artista anteriormente conhecido como um fruto fora de prazo a assumir as funções de "Queniano Azul".

Mais do que um simples guarda-redes, mais do que um simples capitão, Rui Patrício foi o "salvador" do Sporting em inúmeras ocasiões durante a época. O brilhantismo da sua temporada acabou por ajudar a disfarçar a pior época da história dos leões.

A chegada de Paulo Fonseca ao Paços ajudou, e muito, Diogo Figueiras a explodir na cena do futebol português. Com a confiança de quem já tinha sido seu treinador no Pinhalnovense, vimos na segunda metade da época nascer mais um jogador de Selecção, que joga dos dois lados do campo, cumpre com rigor os processos defensivos da sua equipa e mostra imensa disponibilidade para atacar. Tal como o seu treinador de já duas paragens deu o salto há pouco tempo, só para poder fazer a pré-época mais quente aqui da Ibéria. 

Na época da confirmação, Garay provou que é um central de qualidade mundial. Mesmo o final de época em claras dificuldades físicas não manchou a segurança que a sua presença deu à defesa encarnada. Estranhamente apenas apontou 1 golo, mas com alguma recolecção lembramo-nos de 4 ou 5 "quases", que com os make or breaks do futebol poderiam ter dado outro relevo matemático a uma época excepcional.

Dominante. Esta é a melhor maneira de descrever Mangala. A supremacia física que evidencia em todos os confrontos foi finalmente aliada a uma apreensão total dos conceitos da equipa. Além dos 4 golos e 3 assistências, sobressaem acima de tudo os apenas 8 golos sofridos nos 23 jogos em que esteve em campo.

Depois de 6 meses a aprender o ofício, a faixa esquerda do Dragão foi entregue a Alex Sandro. E a resposta não podia ter sido melhor. Ofensivamente, foi, por larga margem, do melhor que vimos nos últimos anos em Portugal. Os seus raides constantes, a sua capacidade para entrar nos espaços vazios na costa da defesa e ir buscar quase todas as bolas e entregá-las com qualidade mudaram o futebol do Porto. Para melhor. Muito melhor.

Foi mais ou menos em Novembro que as pessoas se esqueceram de quem era Javi Garcia e o que fazia no Benfica. Nessa altura já só sabiam quem era Matić e só pensavam até onde iria toda aquela manifestação de talento.  A verdadeira revelação da temporada, o sérvio passou de um míudo que veio do Chelsea no negócio do David Luiz a world class player diante dos nossos olhos e num muito curto espaço de tempo. A magnitude do que fez pelos encarnados durante toda a época não tem quantificação possível nos seus apenas 3 golos e nenhuma assistência.

O maior elogio que se pode fazer a João Moutinho, é que na sua ausência um meio campo que tinha "O Polvo" e acima de tudo "El Comandante" não funcionou. E isso quer dizer muito. O seu "motor" nunca acaba. A inteligência que sempre possuiu para o jogo tem evoluído e atingiu picos durante a época passada ao alcance de muito poucos no mundo do futebol. Nas palavras de outro desporto: "He's taking his talents to Montecarlo".

A qualidade e a entrega que colocou em campo na fase inicial do campeonato marcaram o ritmo para o resto da época pacence. Vitor assumiu a construção de jogo dos castores elevando o seu patamar de jogo para níveis elevadíssimos. Foi perdendo protagonismo ao longo da época devido à subida de outros mas nunca perdeu a sua importância nos processos da equipa. É um jogador que torna melhores os outros em seu redor.

O fantasista argentino participou no culminar de 16 dos golos do Benfica mas foi preponderante em muitos outros. Salvio confirmou os créditos deixados na sua anterior passagem por Portugal com uma época fortíssima onde castigou defesa esquerdo atrás de defesa esquerdo. A sua capacidade de aparecer e e concretizar na zona de finalização veio ao cima acrescentando mais uma vertente ao seu futebol, uma vertente que normalmente distingue os extremos bons dos muito bons.

Não é fácil chegar a um grande já com a época a correr, ter que partilhar o posto com o melhor marcador desse clube nos últimos anos e ainda assim chegar aos 20 golos, em apenas 2309 minutos. A alteração táctica que a sua entrada motivou é o maior sinal de como o Lima pegou de estaca na Luz. E os golos, das mais variadas formas, confirmaram-no.

30 jogos a titular. 2685 minutos. 26 golos. MVP do Campeonato. Panenkas. Melhor golo do ano. Jackson foi isto tudo no ano de estreia. Após o golo ao Sporting e outros tantos ao longo do campeonato, vimos que "Cha Cha Cha" é pouco para alcunhar o prolífico colombiano. Salsa, Rumba ou mesmo Tango também figuram no reportório daquele que é um verdadeiro matadorVeni, Vidi, Vici.