A Selecção
15
Ago

2014

11's do Ano - Os Melhores

Por O Especialista

A poucos minutos do início do Campeonato tudo voltou à normalidade na redacção do 11para11. Os 11's do Ano estão prestes a ser publicados, "O Especialista" está em frente à SportTV, prestes a começar mais uma época de observações, esta por vídeo. Está a ouvir as suas intervenções preferidas do LFL, a sua "música" para se concentrar antes do jogo.

Quem também voltou à (a)normalidade foi o nosso futebol, mergulhados naquela sua instabilidade habitual, própria de um país onde todo o cidadão tem direito a almejar a um lugar de distinção pública para o usar para seu proveito. Olhamos à distância para este 11, para os jogadores que o formam e para aquilo que os vimos fazer e é unânime que na nossa redacção que nos podemos dar por sortudos por vivermos em Portugal e termos acesso a todos estes artistas. O nosso Campeonato continua a ser mais forte do que parece, e daquilo que nos querem fazer querer, mas termos jogadores e treinadores de qualidade não é suficiente. O resto tem de acompanhar, sobretudo os dirigentes que nos envergonham diariamente nas suas ascensões pessoais em detrimento do desporto que tanto gostamos.

Fechamos então com os Melhores. Aqueles que fizeram a diferença nas suas equipas e que ninguém conseguiu anular ao longo do ano. É uma colecção de estrelas, com muitos milhões investidos mas onde sobressaem algumas épocas de nível mundial, onde o futebol praticado foi de primeira água. Daqui a nada começa mais uma época, em que todos os jogos valem três pontos, e as entradas de jogadores trazem com elas muitas promessas. A ver vamos se chegam aos calcanhares do que os seguintes fizeram no passado. Porque para nós, adeptos do jogo, é isso que interessa.

 

Há muito que os benfiquistas ansiavam pelo crescimento de Jan Oblak na estrutura encarnada. Depois de 3 anos emprestado, e no seu 4º a jogar com séniores, estreou-se aos 20 anos no Campeonato e os 16 jogos que efectuou ficam na história do SLB. Apenas sofreu golos em 2 deles, em Barcelos e na Choupana, e a imagem que ficou foi a de um guarda-redes soberbo com completo domínio de todas as vertentes da sua posição específica e uma leitura de jogo que alguns veteranos nunca atingem. O esloveno passou pelo Benfica num lusco-fusco e "O Especialista" acha que não vamos ver outro parecido durante muito tempo.

O luso-germano Cédric aproveitou da melhor forma o bom ano leonino para se impôr na nossa competição e chegar à equipa das Quinas. Melhorou muito nos processos defensivos com Leonardo Jardim e agora só falta juntar um melhor posicionamento quando esta fase se inicia aos já elevados índices de concentração. Ofensivamente está mais polido que em anos anteriores, mas ainda tem que ter melhor percepção espacial de onde estão os alvos na área. Não arriscou tanto o remate como em anos anteriores, também não eram essas as suas funções em campo, mas não deve ter medo de ser feliz, sobretudo para quem às vezes remata com tanta violência.

Foi Luisão que manteve à tona o barco que pareceu a defesa encarnada até à entrada de Oblak. Maxi ainda estava longe da forma ideal, Garay tinha que defender o seu e o de Cortez e o Capitão acorria a tudo o resto. Numa das suas melhores épocas a nível físico desde que chegou a Lisboa, o Girafa pegou na confiança que o esloveno e Siqueira deram aos processos da equipa e transformou a defesa encarnada num rolo compressor, sempre subida, ali no limiar do meio-campo, onde começa o fora-de-jogo, enquanto berrava à esquerda e à direita e gesticulava com todos. "O Especialista" apontou no caderno: Patrão.

Ezequiel Garay. Nome de craque. Super Star Defender. Na antecâmara do Brasil14 aquele que agora é reconhecido com um dos melhores centrais do mundo, aproveitou a época do Benfica para crescer com ela, ao contrário de 12/13 onde acabou a puxar a carroça. Os 6 golos são a melhor forma de ilustrar a época de luxo com que Garay presenteou os adeptos da Luz, onde não existiu um avançado, extremo ou médio que tenha levado a melhor sobre o argentino. Vive agora no frio da Rússia. Para passar mais tempo em casa com a Tamara.

Depois da revelação da época passada na surpresa que foi o Estoril de Marco Silva, Jefferson aproveitou o embalo para ser uma das revelações na surpresa que foi o Sporting de Leonardo Jardim. Embora apoquentado por uma lesão durante uma pequena parte da época, teve grande peso nos processos ofensivos dos de Alvalade, mesmo nos jogos em que era constantemente estorvado por Capel. A sua habilidade para entregar a bola na área, perigosa tanto para avançados como para defesas mais incautos, com muita força é já marca registada da sua carreira em Portugal.

A surpresa das surpresas. "O Especialista" colou uma foto do novo holding midfielder do Sporting no seu placard no momento em que ele fez o primeiro jogo de pré-época. William Carvalho chegou, viu e venceu. Convenceu tudo e todos (menos Paulo Bento) com o seu estilo ponderado, fluído, eficaz a jogar e que se assemelha ao de um veterano destas andanças. Forte fisicamente nos processos defensivos evidencia depois um toque suave no passe, curto ou longo, ao qual alia uma forma de jogar na qual nenhum movimento é desperdiçado e tudo flui em função da bola e do jogo. Está ligado aos dois maiores "ses" do Campeonato: para os adeptos de Alvalado tudo teria sido diferente se o seu Yaya tivesse jogado na Luz, para os outros adeptos tudo teria sido diferente se o Sporting o tivesse mantido em Brugge.

O MVP da época. Na sua segunda época no meio do parque pareceu que Enzo Pérez já era médio-centro desde o séc. XX pelo menos. Revelou-se como a chave que deu corda a toda a estratégia de Jorge Jesus e ao futebol do Benfica, um médio moderno que é capaz de pressionar alto, recuperar rapidamente, fechar as costas dos laterais e tudo isto enquanto carrega a equipa para cima, quer através de 1-2 em espaços curtos ou a jogar nas costas da defesa para os alas ou simplesmente a partir do 1x1 para atacar a linha seguinte enquanto avança naquele vai-não-vai que engana muitos. Uma época simplesmente soberba.

O playmaker da Amoreira entrou no Campeonato a todo o gás e muitos acharam que seria sol de pouca dura. No entanto Evandro terminou a época tão forte como tinha começado - salvo alguns jogos na bancada por entradas menos pensadas - e comprovou tudo aquilo que se veio escrevendo acerca do Dempsey da Amoreira. Peça fulcral no que foi o Estoril 3.0 de Marco Silva, uma equipa com maior posse de bola e já preparada para apanhar um ou outro autocarro ao longo do campeonato, a sua frieza na finalização e a simplicidade de processos na área atacante destacaram-no dos demais, numa época coroada com 11 golos e 9 assistências, um pecúlio "lampardesco".

Foi em 13/14 que finalmente acabou o carrossel que tinha sido a passagem de Rodrigo pelo Benfica. De titular indiscutível a suplente de minuto 85, o hispano-brasileiro passou por tudo às ordens de JJ mas na época passada teve finalmente a oportunidade de singrar sem ninguém a espreitar por cima do ombro. A partir do momento em que Cardozo ficou de fora por lesão, o sub-21 espanhol nunca mais olhou para trás e foi decisivo em muitos jogos marcando o golo que desbloqueou o marcador. Vimos finalmente de forma consistente os atributos que sempre lhe foram reconhecidos: uma velocidade estonteante com um poder de arranque impar e a finalização limpa, sem sobressaltos.

Jackson Martínez foi pelo segundo ano consecutivo o melhor marcador do nosso campeonato. Mesmo num ano off, Cha Cha Cha continua a ser muito melhor que a média, com um dom inato para encontrar formas de colocar a bola na baliza. O Porto não ajudou muito a sua época e a lesão de Falcão foi provavelmente o momento em que o colombiano decidiu tirar o pé do acelerador e fazer os mínimos olímpicos até final da época, para não colocar nada em risco. Mesmo assim, fez o suficiente para ser o melhor ponta da I Liga, na opinião d' "O Especialista".

O artista encarnado teve finalmente uma época ao nível do que lhe era pedido. A sua capacidade técnica nunca esteve em causa, e os ínumeros apontamentos com que deslumbra as plateias são prova disso, entre recepções de passes de 60 metros e pequenos chips entre linhas defensivas, a sua nova predilecção. Com a lesão de Sálvio, cedo se questionou se Nico Gaitán ultrapassaria finalmente a vontade de entreter as multidões em prol dos interesses do colectivo. E foi em 13/14 que vimos o habilidoso argentino dar esse passo mental em frente e finalmente pôr a sua arte ao serviço da equipa, para acelerar processos e não embelezá-los e tirar-lhes o propósito. A partir daí a Luz passou a ver novamente futebol com nota artística elevada.

Um registo final para três outros jogadores que na opinião d' "O Especialista" marcaram o campeonato, um que saiu a meio, outro que chegou nessa altura e um que participou em todos os jogos.

Se calhar Siqueira pareceu-nos demasiado bom devido à décalage de qualidade para o jogador que veio substituir. Mesmo assim, condicionado pela impressão de Bruno Cortez, "O Especialista" achou que fez mais do que o suficiente para quase integrar esta lista. Muito bom ofensivamente, integra-se facilmente pela faixa, por dentro ou por fora, e tem o q.b. de técnica para conseguir sair das situações mais apertadas. Apesar de ter revelado alguns erros emocionais defensivamente, em que foi incapaz de controlar as faltas cometidas, mostrou argumentos suficientes para ser uma mais valia defensivamente. Teve uma passagem curta por Lisboa, numa posição problemática de preencher e para a qual mostrou qualidade como poucos em Portugal.

O gigante sérvio só fez meia época no Benfica, mas há semelhança de Luisão ajudou a carregar as águias durante um início "lento". Foi decisivo quando os encarnados mais precisaram e o seu golo ao Sporting de Braga foi um dos pontos de viragem desse começo de época. Nemanja Matić chegou mais forte no início de época, mais empenhado em defender e mais concentrado na entrega reduzindo drasticamente o número de passes falhados. Começou também a soltar-se mais para o processo ofensivo e a tentar mais vezes a sorte de longe, prenúncio talvez de uma mudança antecipada. Despediu-se n' "O Clássico", com mais uma exibição de luxo, saindo da Luz pela porta grande. Deixou saudades n' "O Especialista".

Em Portugal desde 04/05, esta foi a época da afirmação de Mario Rondón como #9. Embora detenha a mobilidade que lhe permite jogar também nas alas, foi no modelo híbrido de 2 avançados e 1 extremo de Manuel Machado que o venezuelano voltou à veia marcadora. Desequilibrou vários jogos a favor do Nacional e não foi metido no bolso por ninguém, mostrando-se pronto para outro tipo de voos. "O Especialista" concorda.