A Selecção
13
Jul

2013

11's do Ano - Low-Cost Nacional

Por O Especialista

 

O penúltimo 11 a ser apresentado diz respeito a um dos principais problemas do futebol português: o excesso de importação. O investimento que nele é realizado e as consequentes poucas oportunidades dadas ao produto nacional, quer ao mais jovem quer ao que vai dando boa conta de si em divisões inferiores, constituem dois dos principais motivos na origem de várias situações de debilidade financeira por esse país fora.

Nesta altura em que somos assolados por uma profunda crise que afecta todos os sectores da nossa sociedade, já não faz sentido que se continuem a importar jogadores de qualidade dúbia ou em períodos de declínio das suas carreiras em detrimento de jogadores conhecedores da nossa realidade, com provas dadas nas competições nacionais de cima a baixo.

Olhamos então para 11 jogadores que evoluiram na 2ª Liga no ano passado mas que muito bem poderiam ter estado na Liga Zon Sagres. Não nos focando exclusivamente em jovens promessas ou jogadores ainda longe do seu prime, debruçamo-nos sobre jogadores batidos, já com aquela tarimba de quem lutou em muitas batalhas, perdeu e ganhou muitas guerras.

Destes fazem parte jogadores que nunca pisaram os principais palcos, alguns que já o fizeram no passado e que ou cairam no esquecimento ou viram lesões descarrilarem as suas carreiras. Temos artistas com capacidade de decisão muito acima da média em zonas críticas, centrais serenos e experimentados e um meio-campo com experiência no estrangeiro.

 

 

Rui Sacramento foi o titular do Leixões na temporada transacta . Seguro entre os postes e fora deles, é um produto das escolas do Porto que nunca teve uma oportunidade ao mais alto nível. Não é pior que Gottardi, mais uma importação banal que vai para uma 4ª época no primeiro escalão.

Mais um exemplo da actual escola portuguesa de laterais - se és um extremo mediano podes ser um bom lateral, se fores canhoto podes ir à selecção - Carlitos já tem vasta experiência de 1ª Liga e a braçadeira que envergou na Naval é também a prova que é um excelente profissional. Aparentemente não o suficiente para ficar com o lugar de alguém como Ney Santos, que além de alguns vermelhos não trouxe nada de novo ao nosso campeonato.

Nestes excedentes encontramos também Anilton Jr., um central como tantos outros e já há demasiado tempo cá para ainda acharmos que poderá vir a ser alguma coisa de jeito. Miguel Oliveira poderá estrear-se na alta roda pela mão do Arouca depois de ter subido 2 equipas em 2 anos. Forte fisicamente, costuma impor serenidade lá atrás, restando agora saber se não será tapado por eventuais contratações de última hora.

Orlando já foi o capitão da Académica durante um largo período mas as lesões mudaram o rumo da sua carreira. Depois de uma recuperação concluída com sucesso em Freamunde, é com surpresa que não o vemos assumir patamares mais elevados. Não ficaria mal no lugar de Márcio Rozário, mais um entre os vários "Gladstones" que fomos pescar ao outro lado do oceano nos últimos anos.

Arredado de voos mais altos desde os tempos de Leiria e Leixões, Laranjeiro continua a ser um exímio batedor de bolas paradas bem como um polivalente das alas, atrás e à frente. Jander, por exemplo, mostra a mesma polivalência embora só do lado esquerdo mas o seu estilo de futebol, ou a ausência dele, não se coaduna com o nosso futebol e nisso o novo reforço do Chaves estaria perfeitamente integrado.

Médio "todo-o-terreno", Toni fez 15 minutos pelo Marítimo em 00/01 nunca mais pisando no 1º escalão português. Rijo, voluntarioso e com pulmão para os 90 minutos é acima de tudo um destruidor de jogo mas, cada vez mais, tenta sempre encontrar alguém que dê melhor destino à bola. Não é o próximo Pirlo, mas não se fica atrás de Wires, um trinco insípido que nunca fez nada acima da média nos 6 anos que por cá esteve.

Hélder Sousa é um caso paradigmático das faltas de oportunidades no nosso futebol. Jogador de Champs e de Liga Europa pelo APOEL de Nicósia, onde mostrou competência e muita qualidade, regressou a meio da época para brilhar no Trofense e aparentemente por lá irá continuar. Ocuparia sem grandes dificuldades o lugar de Revson no plantel do Nacional.

Mais um que caiu no esquecimento dos nossos dirigentes, Rui Lima chegou aos 14 golos esta época com a ajuda de algumas (9!!!) grandes penalidades. Mas não deixam de ser 14 golos. O criativo canhoto nem ao Beira-Mar, onde já passou 4 épocas, interessou, num ano em que os Auri-Negros se preferiram virar para guadalupianos com nome de brasileiro como Fleurival, com resultados à vista de todos.

Quem vai continuar sem ter a primeira oportunidade é Bock, outro "ignorado" do futebol português. Adora jogar do lado da pala, fora de casa por causa da sombra e em casa para ter o seu público para o ajudar a pressionar o juiz. Custa a crer que nunca tenha jogado na 1ª Divisão, onde evoluem jogadores, como Luís Carlos, que jamais terão a sua capacidade de decisão. Um artista que não ficava nada mal à sombra da bancada principal de Barcelos.

Num país que recruta a maioria dos pontas-de-lança fora de portas, Miguel Fidalgo poderia ser uma excepção a essa regra. Com faro de golo e pedigree de ponta italiano, destaca-se por ser um avançado muito completo. Muito fustigado por lesões, agora que se encontra recuperado espreita uma nova oportunidade para ser útil na principal divisão. Mais do que foi, por exemplo, Liedson no Porto (com excepção da assistência para o golo do título).

Um dos maiores erros de casting dos últimos anos, Balboa, vai ter nova oportunidade na Liga Zon Sagres, desta vez no Estoril. Depois do que sofreu esta época, com os quase 25 treinadores que o Feirense teve, e com a luta que se viu por Rafa, que ainda motivou um cambalacho à portuguesa, é de estranhar que Diogo Cunha se tenha mudado mas dentro da 2ª Liga. Um vagabundo no ataque que pelo menos nunca foi apelidado de "Barretoa" pelos próprios adeptos.