A Selecção
14
Jun

2014

11's do Ano - Estrangeiros da 2ª Liga

Por O Especialista


Embora existam cada vez menos, continuam a existir jogadores estrangeiros a tentar a sorte na 2ª divisão dos nossos campeonatos. Um claro sinal dos tempos, não só da crise que veio para ficar mas também da nova abordagem que muitos dos nossos clubes têm utilizado a nível do scouting interno (ver Pedro Tiba, uma das revelações do ano ).

Longe dos anos em que metade dos plantéis era composto por brasileiros de qualidade mais do que dúbia, quase todos contratados através de colecções de VHS's ou DVD's em baixa definição, vemos hoje um novo tipo de investimento, não só de recursos mas também do tempo em campo, não só a nível da origem de alguns dos jogadores mas também da geração procurada. Ao contrário do jogador já em fase final de carreira que vinha para Portugal recolher fundos para abrir uma pastelaria na localidade em que jogasse, também os clubes da II Liga procuram actualmente investir no potencial para tentar transformá-lo em euros.

Estes são os 11 estrangeiros da II Liga que despertaram a atenção do "Especialista" em 13/14:

Não muito diferente dos compatriotas Fabiano e Ederson, do Porto e Rio Ave respectivamente, Conrado tem todos os trademarks da actual escola de guarda-redes brasileira. Imponente, felino e com um jogo de pés mais do que aceitável. Não teve um ano fácil na Trofa, mas augura-se um bom futuro para o ex-Vasco.

Uma pequena cópia de um seu homónimo ex-Braga, Benfica, Villareal, Espanyol e Leeds United entre outros, Armando é muito rijo para um lateral tão diminuto. Quando alia a essa confiança defensiva uma capacidade ofensiva acima da média, temos jogador de futuro. Natural de Cabo Verde, está no Marítimo desde os júniores e poderá ser uma das próximas pérolas a ser lançada neste intercâmbio entre arquipélagos do Atlântico que os madeirenses tão bem têm aproveitado.

No ano passado dissemos o seguinte de Bauer: "(...) é a imagem do central alemão, alto e espadaúdo. (...) Em princípio deverá continuar emprestado ao Marítimo pelo Estugarda, passando para a equipa A na próxima época". Ficou no Marítimo mas demorou a pegar de estaca na equipa A. Entretanto continuou a fazer estragos na II Liga, com 2 golos e 9 cleanies nos 20 jogos antes de dar o salto e se tornar indiscutível no eixo defensivo.

Destaque na Covilhã, e não apenas pelo maior número de cartões amarelos do que clean sheets ou pelo passaporte libanês que também possui, Victor Massaia é mais um talento vindo das terras de Vera Cruz para o nosso escalão secundário. Imponente fisicamente, 1,90m e 85kg, divide funções entre o centro da defesa e a posição mais recuada do meio-campo. Numa encruzilhada posicional a nível de carreira, o "Especialista" acha que será um centralão de qualidade.

Chegado do Esperança de Lagos a meio da época passada, fazendo ainda 13 jogos, Alex Kakuba pegou de estaca este ano no Sporting da Covilhã. Extremo adaptado à função, é como lateral que tem mais facilidade em atacar. O ugandês ainda tem um longo caminho pela frente para ser alguém no mundo do futebol, mas foi sobretudo a progressão defensiva ao longo da época que o colocou nesta lista. Assinou hoje pelo Estoril, algo que levou o Especialista até à copa da redacção, vazar os armários para o chão.

Também já assinou pelo Estoril e é na I Liga (e provavelmente na Europa também) que Anderson vai brilhar para o ano. Holding midfielder à antiga, impõe e atemoriza adversários com o seu físico. Não é brilhante (ainda) na altura da construção mas demonstra já ter os argumentos suficientes para não necessitar de jogar com alguém ao seu lado para o ajudar nessa missão.

Kuca começou a época como extremo mas foi com a passagem a #10 que despontou. A partir do meio do campo tornou-se peça fundamental nas transições do Chaves, partindo de um 1x1 inicial para depois furar pelo terreno adversário. Os 12 golos obtidos foram a cereja no topo do bolo para mais um caso no futebol português em que a necessidade potenciou o engenho.

Emprestado pelo Nuremberga, Mu Kanazaki foi uma das revelações do ano. Depois de um ano de estreia em solo europeu em que jogou apenas 98 minutos, a oportunidade de jogar regularmente em Portimão não foi desperdiçada pelo nipónico. Jogou e fez jogar os algarvios, tanto a #10 como aparecendo mais junto ao ponta, sempre com naturalidade. Um talento a rever, muito provavelmente por terras germânicas.

Willyan acabou por fazer poucos minutos para alguém que esteve a época inteira no Beira-Mar. Algumas lesões e algumas dores de crescimento da adaptação ao futebol europeu limitaram a evolução deste brasileiro de apenas 169 centímetros. No entanto, e tal como o algodão, este craque ex-Torino não engana e é fácil ver o brilho nos olhos do "Especialista" quando fala nele.

O único jogador desta lista que não se encontra na fase ascendente da sua carreira, Cafú voltou a Portugal depois de 6 anos em Chipre. Sem clube no início da época, "evoluiu" na equipa do Sindicato de jogares até se instalar em Viseu para marcar 15 golos que em muito ajudaram os viseenses a terem uma época tranquila. No topo da sua maturidade, é aos 36 anos um avançado completo e que a sabe toda. O Feirense já se chegou à frente para a próxima época pelo que poderemos não voltar a ver este cabo-verdiano no principal escalão.

A fechar o 11, um antigo talento das camadas jovens do Benfica e que depois de uma equipa nos B's encarnados decidiu lançar-se sozinho no futebol, pela porta do Atlético. João Mário tem uma combinação muito rara de porte físico, velocidade e agilidade, mostrando traços de jogadores portugueses que já jogaram no Man United (Bébé). A sua genética garante-lhe quase automaticamente lugar em qualquer campeonato do mundo, mas o salto que o seu futebol deu entre o Benfica B e o Atlético são o carimbo para outras aventuras.

 

Menções honrosas ainda para Núrio Fortuna, que jogou por 3 equipas diferentes do Sporting de Braga e que foi campeão de júniores, e que está quase quase pronto para assumir a titularidade numa equipa do principal escalão, não fossem ainda algumas ingenuidades das que se pagam caro.

Na mesma equipa, destaque também para Chidi, um box-to-box com perfume africano cujo jogo se situa a meio caminho entre um Sunday Oliseh e um Jay-Jay Okocha. Com apenas 31 minutos na equipa principal dos bracarenses, o que fez na Liga 2 não passou despercebido na redacção do 11para11.

Para o final Santiago Silva, um são-tomense a fazer pela vida no nosso futebol. É indubitavelmente, através de várias observações in loco sem qualquer tipo de validação científica, um dos jogadores mais rápidos a evoluir em Portugal. Um extremo à inglesa, puro e que corre com os dois pés em cima da linha lateral, só lhe falta aliar alguns atributos futebolísticos à sua velocidade surreal.