A Selecção
09
Ago

2014

11's do Ano - Equipas B

Por O Especialista

 

Começa hoje a competição mais dura do nosso futebol. O escalão mais baixo dos profissionais arranca com mais dois clubes que no passado, elevando o número de equipas para 24, para um total de 46 jornadas. Sim, 46!!! Do leque de equipas fazem parte 6 equipas B, nas quais se destacam, pela competitividade e pelo potencial de alguns elementos, as dos três grandes. É nestas que vemos evoluir a maioria dos talentos (já descobertos) do nosso país, tal é a política de contratação destes três clubes, logo desde tenra idade.

A entrarem no seu terceiro ano de (re)existência, ainda estamos longe de poder afirmar que já começam a dar frutos. Ainda não existe uma verdadeira interligação entre A's e B's e não há exemplos de jogadores que se tenham afirmado nas segundas linhas e que tenham sido aproveitados para lançar entre os mais velhos. Aquilo que começamos a denotar vais mais no sentido de fazer o crescimento em casa e depois lancá-los noutros clubes, para ver se estão prontos. João Mário foi um caso disso no ano passado, Tozé sê-lo-á este ano. O Benfica está a fazer algo diferente, mas ainda ninguém percebeu bem o quê.

Quanto à época passada, e não só ao nível do que jogaram mas também do que prometeram, ficam as escolhas do "Especialista" dos que foram os melhores entre as três equipas B de Benfica, Porto e Sporting.

Entre as muitas coisas para que serve um centro de estágios, uma delas é a aproximação de todos os jogadores do clube. E acaba por ser notório a capacidade dos mais novos para integrarem toda uma postura em campo daqueles que jogam mais acima. Bruno Varela começou a época como um Roberto, meia por cima do joelho e tudo, mas acabou como um Oblak, a comandar de forma segura o quarteto defensivo à sua frente, mantendo a elasticidade que sempre o caracterizou.

Ricardo Esgaio jogou inúmeras vezes a lateral e é nessa capacidade que o Especialista o coloca neste 11. Apesar de não ter começado nenhum jogo na linha de trás, foi quase sempre essa a opção tomada em resultados negativos para dar maior pendor ofensivo à equipa. A sua carreira encontra-se numa encruzilhada posicional, onde já se viu que nunca será um extremo de topo mas como lateral, e em menor grau como interior, tem as portas abertas para voos mais elevados.

Depois de um início de época fulgurante onde algumas demonstrações na pré-época fizeram sonhar os adeptos leoninos, Rúben Semedo acabou por ter uma época inconstante onde a falta de qualidade na decisão fora do campo teve reflexos directos no seu crescimento enquanto jogador. O futebol, e uma carreira nele, são muito mais do que duas horas por dia a correr e a dar chutos numa bola e o Especialista espera que o Rúben seja melhor aconselhado no futuro para poder um dia equivaler o seu potencial futebolístico ao físico.

Alinhavado para ser o sucessor de Fernando, uma lesão no primeiro treino da pré-época deixou-o de fora pelo menos até Dezembro. Na época passada Mikel impôs o seu físico de Norte a Sul ajudando a estabelecer o dominou do meio-campo portista na maioria dos jogos. O nosso scout privado acha que a sua área de intervenção limitada e as dificuldades na construção se manifestariam menos como Central, posição para a qual tem a morfologia prototípica dos de topo.

Outro exemplo de qualidade nas laterais é Bruno Gaspar. Mais do que a sua consistência defensiva e grande apetência ofensiva, destacamos a sua abnegação acima de tudo. Tem um "motor" que nunca pára e usa-o em todos os momentos do jogo à semelhança de um outro "careca" uruguaio que vê trabalhar diariamente no Seixal. Já decide bem junto à linha, na altura de entregar, mas falta ainda adicionar qualidade ao cruzamento por alto para ter a caderneta toda do que é um lateral em 2014.

Rúben Pinto jogou maioritariamente a #6 ou a #8 no 4-3-3 clássico dos B's encarnados - uma nota aqui para o facto de as águias terem a única equipa de "reservas" que não usa a mesma táctica da A - e no final da época já mostrava um perfeito domínio do que representa cada posição. Senhor de uma qualidade de passe e de uma percepção espacial acima da média, coloca-as em prática sobretudo para acelerar processos ofensivos. Ainda tem muito a aprender na luta corpo a corpo típica do meio-campo mas deu passos largos este ano no escalão mais duro de todo o nosso futebol.

Eram reconhecidas a Tozé todas as qualidades necessárias para ser um bom futebolistas mas as principais dúvidas residiam no seu físico de avançado argentino e na capacidade para aguentar a dureza de uma temporada entre os homens. Os 40 jogos a titular, os 86 minutos por jogo e os 21 golos marcados deixaram tudo isso para trás, num jogador que passa, remata, pensa e decide à Sneijder, sempre com um olho na baliza e outro nas desmarcações de colegas.

Bernardo Silva está a seguir as pisadas de Tozé. Sempre teve o QI futebolístico que o destacou dos demais mas a sua capacidade física sempre colocou em causa a sua transição para os Séniores. A sua primeira época foi quase uma cópia da de estreia do seu equivalente portista pelo que esperamos o mesmo tipo de desenvolvimento do fininho #10. Precisa ainda desenvolver uma melhor noção de quando arriscar ou quando segurar para melhor servir o colectivo.

Falado como a última grande aposta do Benfica na formação, Ivan Cavaleiro não chegou aos 500 minutos em jogos que interessassem para alguma coisa. No escalão secundário foi dominador, com 10 golos em 18 jogos na ala. A forma como o seu crescimento foi abordado pode não ter sido a melhor e Ivan acabou por ser um dos jogadores deste 11 que menos minutos fez pelo seu clube. Aparentemente foram os suficientes para ainda calçar na Equipa das Quinas.

Apenas ganhou o lugar na segunda metada da época e acabou por só fazer 5 golos até ao final da mesma, mas Gonçalo Paciência, além do pedigree já conhecido, mostrou todos os atributos necessários para um ponta-de-lança de um clube grande, que passa muito tempo com a bola e que joga em espaços reduzidos. Forte fisicamente, ao contrário do pai, demonstra também uma técnica extremamente apurada para a posição que ocupa.

Anda por Alcochete mais um talento para as alas, à semelhança de tantos outros lançados pelos Leões na última década. Como muitos outros antes de si, o maior problema de Iuri Medeiros reside no tempo que passa desligado do jogo e a sua não participação nos processos defensivos. Agora, quando olhamos para o que faz no meio-campo ofensivo vemos logo que há poucos com todo aquele talento. Mais um que terá que crescer mais fora do que dentro do campo para ser um profissional de topo.

Para o final, três nomes que não poderiam ficar esquecidos. O colombiano Víctor García foi um dos destaques dos B's azuis-e-brancos, sobretudo pela consistência demonstrada. Não tem nenhuma característica distintiva, algo que possamos dizer em que é claramente melhor do que noutros capítulos. No entanto também não tem nenhuma falha que lhe possa ser apontada, o que na sua tenra idade e já a jogar no estrangeiro, é um dos maiores elogios que lhe podem ser feitos.

O brasileiro ex-Manchester City começou a dar nas vistas perto do final da primeira volta e a partir daí não mais saiu das escolhas de Abel. Dotado de uma capacidade táctica acima da média, Wallyson preenche bem todas as posições do meio-campo, assumindo-se como um #24. Já andou com a equipa principal no final da época passada e este ano deve passar mais tempo com os "crescidos".

O jogador que motivou uma festa entre os adeptos do River quando se mudou para a Luz é um caso paradigmático do que representam as estatísticas nos dias que correm e Funes Mori é mais um case study para essa discussão, até porque também nunca convenceu os adeptos encarnados. Os 1000 minutos na equipa B e menos de 300 na equipa A, foram claramente pouco para um ponta-de-lança em crescimento que mesmo assim acabou com uma média superior a um golo por jogo na II Liga.