A Selecção
15
Ago

2014

11's do Ano - Desilusões

Por O Especialista


A poucas horas do início da I Liga o impasse continua na redacção do 11para11 com "O Especialista" barricado na sala de video, a la Manuel Subtil. Ainda a reclamar a edição dos seus 11's do ano, já se apoderou de um dos nossos estagiários e ameaça agora obrigá-lo a ver ininterruptamente todas as intervenções do Carlos Manuel, aka Carlão, acerca do Mundial 2014.

Como somos pouco dados aos maus tratos da condição humana continuamos a laborar para acalmar o nosso scout privado, até porque que a compilação de golos do Fenómeno, as duas camisolas #10 da Argentina e o 1,5L de Sumol de Ananás que solicitou entretanto só o distraem durante algum tempo.

Viramo-nos agora para os piores, não no absoluto, mas no relativo, tendo em conta aquilo que deles era esperado. Esta lista tem de tudo, desde jovens pagos a peso de ouro, eternas promessas, veteranos que vinham para ajudar e até um central de topo. Os seguintes profissionais são aqueles que desiludiram "O Especialista" e certamente muitos adeptos pelo país fora.

Degra foi trazido para Paços de Ferreira devido à sua experiência internacional. Com a campanha europeia do Paços era preciso assegurar que as redes estavam entregues a alguém de confiança. Apesar do enorme estilo que Degra sempre transpareceu, Isto não podia estar mais longe do que aconteceu. Keeper mediano, o argentino não fez uma única defesa difícil nem safou um golo certo, tendo ainda encaixado muitos que deixaram os adeptos a torcer o nariz.

Este excelente defesa argentino fez os possíveis e os impossíveis para sair do Porto. A sua carreira de azul-e-branco terminou na Luz onde a sua passividade passou despercebida perante o domínio encarnado. Num clube pouco dado a sabotadores, Otamendi acabou a época no Atlético Mineiro ao contrário do clube de topo que procurava, uma brincadeira que lhe custou certamente a presença no Mundial.

Com um passado no campeonato português e na primeira divisão espanholha, Grégory foi mais um que chegou à Mata Real para trazer experiência ao eixo defensivo. Terminou a época com apenas 6 jogos, todos fraquinhos, com muitos erros e muita precipitação para alguém supostamente tão calejado.

Aquele que era suposto ser o patrão da defesa maritimista acabou por protagonizar um caso caricato no mundo do futebol ao ser despedido por incompetência a meio da época. As suas peripécias foram sendo detalhadas ao longo da época pelo nosso fanático do Marítimo e não é com surpresa que vemos Márcio Rozário inserido nesta lista d' "O Especialista".

O flop do ano saiu dos lados da Luz. Bruno Cortez chegou com fama de lateral ofensivo e a sua falta de norte no lado defensivo do campo comprovou isso nos primeiros jogos. O principal problema é que afinal também não sabia atacar. O único ponto positivo que trouxe para o futebol português foi o seu penteado e as piadas que ficaram.

Uma das maiores desilusões para "O Especialista", depois de uma entrada de rompante no escalão principal, Tiago Rodrigues não se conseguiu impor no plantel do Porto, apesar da fraca época dos portistas. "Devolvido" ao Vitória de Guimarães, não conseguiu também voltar a dominar o meio-campo dos vimaranenses como em 12/13, tendo passado mais de metade da época no banco. Muito, muito pouco para quem prometeu tanto.

Teoricamente um dos mais criativos médios lusitanos, Rubén Micael é nos dias que correm a perfeita definição de "preso por arames". Uma época à imagem da do Braga, onde se ressentiu de imensos problemas físicos, o madeirense não só garantiu que o seu treinador tinha que utilizar uma substituição por jogo como ainda empurrou Rafa Silva para uma das alas, atrasando a explosão deste artista.

Chegou com pompa e circunstância, com direito a envergar a mítica #10 dos encarnados. Numa realidade completamente diferente à que estava habituado, o tímido Đuričić nem sequer teve no 11 do Benfica a possibilidade de jogar na sua posição natural, playmaker atrás de 3 avançados. Acabou a época com menos de 400 minutos, manifestamente pouco para o elevado investimento feito nele.

Ao terceiro ano de Sporting, esperava-se que Carrillo rebentasse finalmente e se tornasse o jogador que a espaços promete vir a ser. Mas não rebentou. Mesmo com 17 titularidades, e com 7 assistências para dourar uns números abaixo do previsto, o peruano desperdiçou mais uma oportunidade para se afirmar definitivamente como um extremo de topo. Continua a cometer os mesmos erros que quando chegou a Alvalade e isso é um dos piores sinais contra si.

Último membro da delegação pacense de ataque à Champions, o brasileiro Carlão era mais um já com cartel no campeonato lusitano. Falado no passado para os grandes de Lisboa, passou completamente ao lado daquilo que era suposto fazer na Capital do Móvel. Lento, desinteressado e completamente desfasado dos colegas, foi só mais um, entre muitos, tiro no pé da direcção Pacense.

Apesar de ser um dos jogadores com maior folga nas bancadas do Campo Grande, Diego Capel continua a não convencer "O Especialista". Jogador uni-dimensional, tem exactamente os mesmos atributos técnicos que possuía aos 16, quando se estreou pelo Sevilha. E esse é o problema de Capel, que 9 anos depois continua a jogar como um júnior.

 

Para o fim, ficam alguns que não couberam no 11 mas cujas prestações foram tão decepcionantes que não poderiam passar em claro.

O experiente ala esquerdo da Académica não se conseguiu impor no 11 ao longo de todo o ano. Nem a polivalência serviu a Diogo Valente, veterano destas andanças e com obrigação de fazer melhor. Os menos de 1000 minutos jogados mas sobretudo a qualidade dos mesmos trouxeram-no a esta lista da vergonha.

Ola John foi um jogador determinante no ano em que o Benfica quase ganhou tudo. Na época passada, em que os encarnados ganharam quase tudo o jovem extremo holandês eclipsou-se, substituído por uma versão mais gorda de si próprio. Acabou emprestado ao final de 162 minutos jogados, para também no Hamburgo não jogar com a frequência necessária ao desenvolvimento de um jovem.

Depois de uma época aceitável na Académica, Salim Cissé foi a versão low-cost que o Sporting conseguiu adquirir em vez de Éder. Encostado à equipa B com a chegada de Slimani e emprestado ao Arouca em Janeiro, nem aí se conseguiu afirmar, acabando a época com menos de 300 minutos.